Braços
que
se
esticam
se
abrem
e se
entrelaçam
num
amplexo
Juntando
nossos
corpos
unindo
nossos
sexos
Miguel de Souza
O ERÓTICO E O PORNOGRÁFICO
Dando-me conta do número exacerbado de poemas eróticos e pornográficos engavetados, achei por bem criar este blog para o deleite daqueles que gostam desse tipo de arte. Não pretendo com isso causar constrangimento a ninguém. E nem vou postar imagens de pessoas despidas por aqui. Mas vou levar àqueles que têm afinidades com esse tipo de poema, o prazer salutar da leitura.
Importante ressaltar a diferença básica entre poema erótico e poema pornográfico. (O poema erótico é aquele que insinua, que diz com outras palavras, sem ser inconveniente, digamos assim. Já o pornográfico é o que traduz ao pé da letra, fala das coisas como elas são, se é que me entendem.)
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
sábado, 26 de dezembro de 2015
APENAS ILUSÃO
Silêncio. É noite alta. Alguém me chama.
Ouço-lhe a voz. Uns trinos. Passarinho?
Na lâmina do leito, de mansinho,
fragrância de delírios se derrama.
Estendo as mãos sob os lençóis da cama,
de tecedura de seda, renda e linho.
Infrutífera busca. No meu ninho
repousam só desejos de quem ama.
Entretanto, uma forma etérea e bela
invade a transparência da janela
e em segredo da noite se insinua...
Mas logo percebi, tudo era trama
de um sonho sensual..., falsa era a dama;
real só um clarão tênue de lua.
Pousada do Rio Quente (GO), março de 2002
Amir Diniz
Melodia Pagã
P.05
Ouço-lhe a voz. Uns trinos. Passarinho?
Na lâmina do leito, de mansinho,
fragrância de delírios se derrama.
Estendo as mãos sob os lençóis da cama,
de tecedura de seda, renda e linho.
Infrutífera busca. No meu ninho
repousam só desejos de quem ama.
Entretanto, uma forma etérea e bela
invade a transparência da janela
e em segredo da noite se insinua...
Mas logo percebi, tudo era trama
de um sonho sensual..., falsa era a dama;
real só um clarão tênue de lua.
Pousada do Rio Quente (GO), março de 2002
Amir Diniz
Melodia Pagã
P.05
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
PONTO DE VISTA
Eu não tenho vergonha
de dizer palavrões,
de sentir secreções
(vaginais ou anais).
As mentiras usuais
que nos fodem sutilmente
essas sim são imorais
essas sim são indecentes.
Leila Míccolis
de dizer palavrões,
de sentir secreções
(vaginais ou anais).
As mentiras usuais
que nos fodem sutilmente
essas sim são imorais
essas sim são indecentes.
Leila Míccolis
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
GAROTA BOÇAL
Nunca vi uma garota tão metida,
tão cheia de besteiras e bobagens;
tem na boçalidade a própria imagem,
e, além de tudo, é muito atrevida!
Não fala com ninguém nessa vida!
Com a calcinha atolada na garagem,
sai rebolando por aí de passagem,
e de boçal, por todo mundo, é tida!
Nunca vi uma garota desse jeito,
seu corpo escultural, parece feito
pelo demônio para enlouquecer...
Ela não anda, rebola, expondo a bunda!
Apesar dessa parte ser rotunda,
mas isso não lhe dá o direito de...
Miguel de Souza
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
ROSINHA INDO PRO CÉU
Em vida Rosinha passava pela rua
boinha boinha
olhava sempre o amanhã que deveria ser melhor.
Os olhares malandros do rapazil
imaginavam coisas
sonhavam rosinha nuinha nuinha
gestos lentos
corpo moreno de amendoim
olhos de amêndoas doce
lábios com gosto de beijo.
E Rosinha nuinha nuinha
passeava de leve no olhar da matula
que não se cansava de ver Rosinha
-a que morrera ontem-
indo pro céu
tão pura
tão linda
nuinha nuinha nuinha...
Anísio Mello
Sexagema Stella
P.23
boinha boinha
olhava sempre o amanhã que deveria ser melhor.
Os olhares malandros do rapazil
imaginavam coisas
sonhavam rosinha nuinha nuinha
gestos lentos
corpo moreno de amendoim
olhos de amêndoas doce
lábios com gosto de beijo.
E Rosinha nuinha nuinha
passeava de leve no olhar da matula
que não se cansava de ver Rosinha
-a que morrera ontem-
indo pro céu
tão pura
tão linda
nuinha nuinha nuinha...
Anísio Mello
Sexagema Stella
P.23
sábado, 12 de dezembro de 2015
PECADORA
Tinha no olhar cetíneo, aveludado.
A chama cruel que arrasta os corações,
Os seios rijos eram dois brasões
Onde fulgia o símb'lo do Pecado.
Bela, divina, o porte emoldurado
No mármore sublime dos contornos,
Os seios brancos, palpitantes, mornos,
Dançavam-lhe no colo perfumado.
No entanto, esta mulher de grã beleza,
Moldada pela mão da Natureza,
Tornou-se a pecadora vil. Do fado,
Do destino fatal, presa, morria
Uma noute entre as vascas da agonia
Tendo no corpo o verme do pecado!
Augusto dos Anjos
A chama cruel que arrasta os corações,
Os seios rijos eram dois brasões
Onde fulgia o símb'lo do Pecado.
Bela, divina, o porte emoldurado
No mármore sublime dos contornos,
Os seios brancos, palpitantes, mornos,
Dançavam-lhe no colo perfumado.
No entanto, esta mulher de grã beleza,
Moldada pela mão da Natureza,
Tornou-se a pecadora vil. Do fado,
Do destino fatal, presa, morria
Uma noute entre as vascas da agonia
Tendo no corpo o verme do pecado!
Augusto dos Anjos
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
LOUCURA DE AMOR
Amar-te é coisa doida!
Tão doida que não mais sei,
o que aconteceu comigo,
no dia em que eu te amei!
É tão louco, o nosso amor,
que quando a gente ama,
o último lugar que vamos,
é em cima de uma cama!
É mais que uma aventura,
transamos em qualquer parte,
ontem mesmo, vejam só:
tivemos orgasmo em Marte!
Miguel de Souza
Tão doida que não mais sei,
o que aconteceu comigo,
no dia em que eu te amei!
É tão louco, o nosso amor,
que quando a gente ama,
o último lugar que vamos,
é em cima de uma cama!
É mais que uma aventura,
transamos em qualquer parte,
ontem mesmo, vejam só:
tivemos orgasmo em Marte!
Miguel de Souza
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
A PUTA
|
Quero conhecer a puta.
A puta da
cidade. A única.
A
fornecedora.
Na rua de
Baixo
Onde é
proibido passar.
Onde o ar
é vidro ardendo
E
labaredas torram a língua
De quem
disser: Eu quero
A puta
Quero a
puta quero a puta.
|
Ela
arreganha dentes largos
De longe.
Na mata do cabelo
Se abre toda, chupante
Boca de mina amanteigada
Quente. A puta quente.
É preciso crescer esta noite inteira sem parar
De crescer e querer
A puta que não sabe
O gosto do desejo do menino
O gosto menino
Que nem o menino
Sabe, e quer saber, querendo a puta.
Se abre toda, chupante
Boca de mina amanteigada
Quente. A puta quente.
É preciso crescer esta noite inteira sem parar
De crescer e querer
A puta que não sabe
O gosto do desejo do menino
O gosto menino
Que nem o menino
Sabe, e quer saber, querendo a puta.
De: Carlos Drummond de Andrade
sábado, 5 de dezembro de 2015
OS QUATRO ELEMENTOS
ll - A TERRA
Um dia, estando nós em verdes prados
Eu e a Amada, a vagar, gozando a brisa
Ei-la que me detém nos meus agrados
E abaixa-se, e olha a terra, e a analisa
Com face cauta e olhos dissimulados
E, mais, me esquece; e, mais, se interioriza
Como se os beijos meus fosse mal dados
E a minha mão não fosse mais precisa.
Irritado, me afasto; mas a Amada
À minha zanga, meiga, me entretém
Com essa astúcia que o sexo lhe deu.
Mas eu que não sou bobo, digo nada...
Ah, é assim... (só penso). Muito bem:
Antes que a terra a coma, como eu.
Vinicius de Moraes
In: Livro de Sonetos
P. 115
Um dia, estando nós em verdes prados
Eu e a Amada, a vagar, gozando a brisa
Ei-la que me detém nos meus agrados
E abaixa-se, e olha a terra, e a analisa
Com face cauta e olhos dissimulados
E, mais, me esquece; e, mais, se interioriza
Como se os beijos meus fosse mal dados
E a minha mão não fosse mais precisa.
Irritado, me afasto; mas a Amada
À minha zanga, meiga, me entretém
Com essa astúcia que o sexo lhe deu.
Mas eu que não sou bobo, digo nada...
Ah, é assim... (só penso). Muito bem:
Antes que a terra a coma, como eu.
Vinicius de Moraes
In: Livro de Sonetos
P. 115
sexta-feira, 1 de maio de 2015
ÍNTIMA
um pouco dela
do lado outro
que se revela
a sós, no quarto
pintura em tela
como num quadro
é somente ela
e não me enquadro
nessa novela
aos poucos, a cena
que me reveste...
sozinha, encena
tirar as vestes
para dormir!
e adormece nua
no vão da cama
só ela e a lua
no mesmo drama
da luta cruel! uma
na cama da vida
e a outra despida
na cama do céu.
Miguel de Souza
do lado outro
que se revela
a sós, no quarto
pintura em tela
como num quadro
é somente ela
e não me enquadro
nessa novela
aos poucos, a cena
que me reveste...
sozinha, encena
tirar as vestes
para dormir!
e adormece nua
no vão da cama
só ela e a lua
no mesmo drama
da luta cruel! uma
na cama da vida
e a outra despida
na cama do céu.
Miguel de Souza
domingo, 26 de abril de 2015
NU
Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.
(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.
Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.
Brilham teus joelhos.
Brilha o teu umbigo.
Brilha toda a tua
Lira abdominal.
Teus seios exíguos
- Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos -
Brilham.) Ah teus seios!
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!
Se nua, teus olhos
Ficam nus também;
Teu olhar mais longo,
Mais lento, mais líquido.
Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto,
Baixo num mergulho
Perpendicular!
Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tua alma,
Nua, nua, nua.
Manuel Bandeira
In: Estrela da tarde
Antologia poética
P. 174
sábado, 25 de abril de 2015
UMA MULHER
O artigo indefinido "uma" , deixa claro que Bruna não está se referindo especificamente a si. E sim, a uma mulher que signifique todas, inclusive ela mesma. O eu poético se coloca na condição de espectador e contempla-a no seu momento mais íntimo, desprovida de suas vestes. Aos poucos, ele vai revelando segredos, mistérios, rompendo barreiras, adentrando num campo inexplorado até então.
Uma mulher caminha nua pelo quarto
É lenta como a luz daquela estrela
É tão secreta uma mulher que ao vê-la
Nua no quarto pouco se sabe dela
A cor da pele, dos pêlos, o cabelo
O modo de pisar, algumas marcas
A curva arredondada de suas ancas
A parte aonde a carne é mais branca
Uma mulher é feita de mistérios
Tudo se esconde: os sonhos, as axilas, a vagina
Ela envelhece e esconde uma menina
Que permanece onde ela está agora
O homem que descobre uma mulher
Será sempre o primeiro a ver a aurora.
Bruna Lombardi
O Perigo do dragão
P. 13
Uma mulher caminha nua pelo quarto
É lenta como a luz daquela estrela
É tão secreta uma mulher que ao vê-la
Nua no quarto pouco se sabe dela
A cor da pele, dos pêlos, o cabelo
O modo de pisar, algumas marcas
A curva arredondada de suas ancas
A parte aonde a carne é mais branca
Uma mulher é feita de mistérios
Tudo se esconde: os sonhos, as axilas, a vagina
Ela envelhece e esconde uma menina
Que permanece onde ela está agora
O homem que descobre uma mulher
Será sempre o primeiro a ver a aurora.
Bruna Lombardi
O Perigo do dragão
P. 13
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