Pra Rose
Sempre que venho aqui, neste recinto,
em busca do que não encontro lá fora:
tremendo alívio no meu peito sinto,
e nunca mais eu quero ir daqui embora!
Mas tenho que partir... Meu peito chora!
Se eu disser que não, lá no fundo minto!
E esse amor que sempre acho tão sucinto,
é imprescindível nesse meu agora!
Ao contemplar a tua linda face,
no reflexo do espelho sem disfarce,
deixo um abraço como despedida.
Volto a fitá-la, e num tamanho close,
cito o verso da tua graça: Rose.
E saio tão feliz! É assim a vida!
Miguel de Souza
O ERÓTICO E O PORNOGRÁFICO
Dando-me conta do número exacerbado de poemas eróticos e pornográficos engavetados, achei por bem criar este blog para o deleite daqueles que gostam desse tipo de arte. Não pretendo com isso causar constrangimento a ninguém. E nem vou postar imagens de pessoas despidas por aqui. Mas vou levar àqueles que têm afinidades com esse tipo de poema, o prazer salutar da leitura.
Importante ressaltar a diferença básica entre poema erótico e poema pornográfico. (O poema erótico é aquele que insinua, que diz com outras palavras, sem ser inconveniente, digamos assim. Já o pornográfico é o que traduz ao pé da letra, fala das coisas como elas são, se é que me entendem.)
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
sábado, 23 de janeiro de 2016
DÁ A SURPRESA DO SER
Dá a surpresa do ser.
É alta, de um louro escuro.
Faz bem só pensar em ver
Seu corpo meio maduro.
Seus seios altos parecem
(Se ela estivesse deitada)
Dois montinhos que amanhecem
Sem ter que haver madrugada.
E a mão do seu braço branco
Assenta em palmo espalhado
Sobre a saliência do flanco
Do seu relevo tapado.
Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?
Fernando Pessoa
In:Mensagem
P.92
É alta, de um louro escuro.
Faz bem só pensar em ver
Seu corpo meio maduro.
Seus seios altos parecem
(Se ela estivesse deitada)
Dois montinhos que amanhecem
Sem ter que haver madrugada.
E a mão do seu braço branco
Assenta em palmo espalhado
Sobre a saliência do flanco
Do seu relevo tapado.
Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?
Fernando Pessoa
In:Mensagem
P.92
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
PARA O SEXO A EXPIRAR
Para o sexo a expirar, eu me volto, expirante.
Raiz da minha vida, em ti me enredo e afundo.
Amor, amor, amor - o braseiro radiante
que me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo.
Pobre carne senil, vibrando insatisfeita,
a minha se rebela ante a morte anunciada.
Quero sempre invadir essa vereda estreita
onde o gozo maior me propicia a amada.
Amanhã, nunca mais. Hoje mesmo, quem sabe?
Enregela-se o nervo, esvai-se-me o prazer
antes que, deliciosa, a exploração acabe.
Pois que o espasmo coroe o instante do meu termo,
e assim possa eu partir, em plenitude o ser,
de sêmen aljofrando o irreparável ermo.
Carlos Drummond de Andrade
In: O amor natural
Raiz da minha vida, em ti me enredo e afundo.
Amor, amor, amor - o braseiro radiante
que me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo.
Pobre carne senil, vibrando insatisfeita,
a minha se rebela ante a morte anunciada.
Quero sempre invadir essa vereda estreita
onde o gozo maior me propicia a amada.
Amanhã, nunca mais. Hoje mesmo, quem sabe?
Enregela-se o nervo, esvai-se-me o prazer
antes que, deliciosa, a exploração acabe.
Pois que o espasmo coroe o instante do meu termo,
e assim possa eu partir, em plenitude o ser,
de sêmen aljofrando o irreparável ermo.
Carlos Drummond de Andrade
In: O amor natural
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
desejo
a libido aflorava
na tez alva de Núbia
nos seios fartos de Núbia
nas coxas flamas de Núbia
e meus olhos consumiam
a tez alva de Núbia
os seios fartos de Núbia
as coxas flamas de Núbia
mas eu muito menino...
não pude usufruir
da tez alva de Núbia
dos seios fartos de Núbia
das coxas flamas de Núbia
e tive de contentar-me com
a libido que aflorava
na tez alva de Núbia
nos seios fartos de Núbia
nas coxas flamas de Núbia
Miguel de Souza
na tez alva de Núbia
nos seios fartos de Núbia
nas coxas flamas de Núbia
e meus olhos consumiam
a tez alva de Núbia
os seios fartos de Núbia
as coxas flamas de Núbia
mas eu muito menino...
não pude usufruir
da tez alva de Núbia
dos seios fartos de Núbia
das coxas flamas de Núbia
e tive de contentar-me com
a libido que aflorava
na tez alva de Núbia
nos seios fartos de Núbia
nas coxas flamas de Núbia
Miguel de Souza
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
ERUPSOLUCIONANDO
Não fere o teu corpo ao meu
quando acende em fagulhas
e arde na cama
A chama que inflama a carne
coloca os meus gestos
na erupção
que sai vulcanizando
o meu corpo
/ ... estamos fazendo amor/
Regina Melo
Pariência
P.72
quando acende em fagulhas
e arde na cama
A chama que inflama a carne
coloca os meus gestos
na erupção
que sai vulcanizando
o meu corpo
/ ... estamos fazendo amor/
Regina Melo
Pariência
P.72
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
CARNE EM FOGO
Quando uma
de minhas mãos
se desata
aquecendo a noite
constelada dos teus seios
a outra desce
à garganta do ventre
onde um vulcão, aceso em flor
despeja
livremente
suas lavas de mel
no fundo de tuas coxas
e sob cheiros
de roupas e lençóis
(dentro da tarde
e no incêndio da carne)
abro tuas pétalas
entre meus dedos
e freme o teu corpo
- meu precipício alarmante
Domingos Ferreira Neto
Mais Uns - Coletivo de poetas
P.50
de minhas mãos
se desata
aquecendo a noite
constelada dos teus seios
a outra desce
à garganta do ventre
onde um vulcão, aceso em flor
despeja
livremente
suas lavas de mel
no fundo de tuas coxas
e sob cheiros
de roupas e lençóis
(dentro da tarde
e no incêndio da carne)
abro tuas pétalas
entre meus dedos
e freme o teu corpo
- meu precipício alarmante
Domingos Ferreira Neto
Mais Uns - Coletivo de poetas
P.50
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