MOTE:
Vi a porteira do mundo
entre as pernas da mulher
GLOSA:
Caindo em sono profundo
de repente eu tive um sonho
e nesse sonho bisonho
vi a porteira do mundo
e descobri num segundo
que aquilo que o homem quer
tem mistério e tem mister
mas é fácil de se achar
é somente procurar
entre as pernas da mulher.
José Honório
O ERÓTICO E O PORNOGRÁFICO
Dando-me conta do número exacerbado de poemas eróticos e pornográficos engavetados, achei por bem criar este blog para o deleite daqueles que gostam desse tipo de arte. Não pretendo com isso causar constrangimento a ninguém. E nem vou postar imagens de pessoas despidas por aqui. Mas vou levar àqueles que têm afinidades com esse tipo de poema, o prazer salutar da leitura.
Importante ressaltar a diferença básica entre poema erótico e poema pornográfico. (O poema erótico é aquele que insinua, que diz com outras palavras, sem ser inconveniente, digamos assim. Já o pornográfico é o que traduz ao pé da letra, fala das coisas como elas são, se é que me entendem.)
sábado, 24 de setembro de 2016
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Lá quando em mim perder a humanidade
Lá quando em mim perder a humanidade Mais um daqueles, que não fazem falta, Verbi-gratia – o teólogo, o peralta, Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade: Não quero funeral comunidade, que engrole sob-venites em voz alta; Pingados gatarrões, gente de malta, Eu também vos dispenso a caridade: Mas quando ferrugenta enxada idosa Sepulcro me cavar em ermo outeiro, Lavre-me este epitáfio mão piedosa: "Aqui dorme Bocage, o putanheiro: Passou a vida folgada, e milagrosa: Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro."
(de "Poesias eróticas burlescas e satíricas")
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domingo, 18 de setembro de 2016
verdades ilusórias
nos torpes escaninhos da memória:
o olor suave dessa pele âmbar,
o remexer dos teus quadris no samba,
compôs o enredo dessa trajetória.
és a cabrocha pura da história
de amor com este aêdo-bamba,
e o destino tal qual açambar-
cando sem mais verdades ilusórias,
reinventou, na vida, o amor próprio,
ermo das dores, e sem ser opróbrio,
para a felicidade infinda de ambos.
do amor, estando nós ao regozijo,
eu tocando teus seios tanto rijos,
usufruindo a tua tez de jambo.
Miguel de Souza
o olor suave dessa pele âmbar,
o remexer dos teus quadris no samba,
compôs o enredo dessa trajetória.
és a cabrocha pura da história
de amor com este aêdo-bamba,
e o destino tal qual açambar-
cando sem mais verdades ilusórias,
reinventou, na vida, o amor próprio,
ermo das dores, e sem ser opróbrio,
para a felicidade infinda de ambos.
do amor, estando nós ao regozijo,
eu tocando teus seios tanto rijos,
usufruindo a tua tez de jambo.
Miguel de Souza
terça-feira, 6 de setembro de 2016
ARARAS VERSÁTEIS
Araras versáteis. Prato de anêmonas.
O efebo passou entre as meninas trêfegas.
O rombudo bastão luzia na mornura das calças e do dia.
Ela abriu as coxas de esmalte, louça e umedecida laca
E vergastou a cona com minúsculo açoite.
O moço ajoelhou-se esfuçando-lhe os meios
E uma língua de agulha, de fogo, de molusco
Empapou-se de mel nos refolhos robustos.
Ela gritava um êxtase de gosmas e de lírios
Quando no instante alguém
Numa manobra ágil de jovem marinheiro
Arrancou do efebo as luzidias calças
Suspendeu-lhe o traseiro e aaaaaiiiii…
E gozaram os três entre os pios dos pássaros
Das araras versáteis e das meninas trêfegas.
O rombudo bastão luzia na mornura das calças e do dia.
Ela abriu as coxas de esmalte, louça e umedecida laca
E vergastou a cona com minúsculo açoite.
O moço ajoelhou-se esfuçando-lhe os meios
E uma língua de agulha, de fogo, de molusco
Empapou-se de mel nos refolhos robustos.
Ela gritava um êxtase de gosmas e de lírios
Quando no instante alguém
Numa manobra ágil de jovem marinheiro
Arrancou do efebo as luzidias calças
Suspendeu-lhe o traseiro e aaaaaiiiii…
E gozaram os três entre os pios dos pássaros
Das araras versáteis e das meninas trêfegas.
(Hilda Hilst)
sábado, 3 de setembro de 2016
DAR É NÃO FAZER AMOR
Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca…
Te chama de nomes que eu não escreveria…
Não te vira com delicadeza…
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar….
Sem querer apresentar pra mãe…
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral…
Te amolece o gingado…
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca…
Te chama de nomes que eu não escreveria…
Não te vira com delicadeza…
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar….
Sem querer apresentar pra mãe…
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral…
Te amolece o gingado…
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
‘Que que cê acha amor?’.
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho…
É não ter alguém para ouvir seus dengos…
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
‘Que que cê acha amor?’.
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho…
É não ter alguém para ouvir seus dengos…
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar…
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar…
Experimente ser amado…
Luiz Fernando Veríssimo
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