O ERÓTICO E O PORNOGRÁFICO

Dando-me conta do número exacerbado de poemas eróticos e pornográficos engavetados, achei por bem criar este blog para o deleite daqueles que gostam desse tipo de arte. Não pretendo com isso causar constrangimento a ninguém. E nem vou postar imagens de pessoas despidas por aqui. Mas vou levar àqueles que têm afinidades com esse tipo de poema, o prazer salutar da leitura.
Importante ressaltar a diferença básica entre poema erótico e poema pornográfico. (O poema erótico é aquele que insinua, que diz com outras palavras, sem ser inconveniente, digamos assim. Já o pornográfico é o que traduz ao pé da letra, fala das coisas como elas são, se é que me entendem.)

terça-feira, 20 de novembro de 2018

SONETO DE AGOSTO


Tu me levaste, eu fui… Na treva, ousados
Amamos, vagamente surpreendidos
Pelo ardor com que estávamos unidos
Nós que andávamos sempre separados.
Espantei-me, confesso-te, dos brados
Com que enchi teus patéticos ouvidos
E achei rude o calor dos teus gemidos
Eu que sempre os julgara desolados.
Só assim arrancara a linha inútil
Da tua eterna túnica inconsútil…
E para a glória do teu ser mais franco
Quisera que te vissem como eu via
Depois, à luz da lâmpada macia
O púbis negro sobre o corpo branco.
Vinicius de Moraes

sexta-feira, 20 de abril de 2018

QUERO VOCÊ


*Na transa desse amor por inteiro,
Quero você no nosso ninho de amor,
Refestelando-me com seu sabor,
Nas curvas desse amor alvissareiro.

Do seu corpo, sentir esse calor
Que emana junto ao meu... Prazenteiro,                    
Esbelto, torneado e bem trigueiro é
Seu corpo revestido dessa cor.

Quero você condecorando a face
Minha, sem praticar nenhum disfarce,
Com ósculos, carinhos e ternuras...

Quero você com uivos e esgares
De prazer, usufruindo novos ares,
No apogeu desse amor, nas alturas!

Miguel de Souza

*Verso do poeta Olavo











domingo, 11 de março de 2018

MEU PECADO

“Não Roubo...
Não Mato...

Não Cobiço...
Não Maltrato...

Não Devo
Ou Desacato...

Acaricio...
Às Vezes Bato...

E se “Amar” é Pecado...
Que “Deus” me Isente... Mas Peco...
Sem Nenhum Recato!”

Rick Jones Anderson

terça-feira, 6 de março de 2018

Paris

Caminhavas lento
o corpo solto
quase displicente
à volta do rosto
cabelos dourados
pelo sol poente.

Imaginei-te nu
qual estátua viva
apenas saída
do museu em frente.

E ali fiquei parada
no banco da praça
olhando esquecida
de encobrir o olhar.

E fui te despindo
sonhando acordada
sem me perguntar
de tua vontade…

Passaste sorrindo
atrasando o andar,
como se estiveras
num espelho a entrar.

Autora: Eugénia Tabosa

sábado, 3 de março de 2018

I

Te batizar de novo.
Te nomear num trançado de teias
E ao invés de Morte
Te chamar      
Insana
                         Fulva
                         Feixe de flautas
                         Calha
                         Candeia
Palma, por que não?
Te recriar nuns arco-íris
Da alma, nuns possíveis
Construir teu nome
E cantar teus nomes perecíveis:
                         Palha
                         Corça
                         Nula
                         Praia
Por que não?



Hilda Hilst
In: da morte. odes mínimas

domingo, 25 de fevereiro de 2018

SUBLIME PUTA



Ó tu, sublime puta encanecida,
que me negas favores dispensados
em rubros tempos, quando nossa vida
eram vagina e fálus entrançados,

agora que estás velha e teus pecados
no rosto se revelam, de saída,
agora te recolhes aos selados
desertos da virtude carcomida.

E eu queria tão pouco desses peitos,
da garupa e da bunda que sorria
em alva aparição no canto escuro

Queria teus encantos já desfeitos
re-sentir ao império do mais puro
tesão, e da mais breve fantasia.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

PARTICULARIDADES

Muitas vezes, a sós, eu me analiso e estudo,
os meus gostos crimino e busco, em vão, torcê-los;
é incrível a paixão que me absorve por tudo
quanto é sedoso, suave ao tato: a coma… os pelos…

Amo as noites de luar porque são de veludo,
delicio-me quando, acaso, sinto, pelos
meus frágeis membros, sobre o meu corpo desnudo
em carícias sutis, rolarem-me os cabelos.

Pela fria estação, que aos mais seres eriça,
andam-me pelo corpo espasmos repetidos,
às luvas de camurça, aos boás, à pelica…

O meu tato se estende a todos os sentidos;
sou toda languidez, sonolência, preguiça,
se me quedo a fitar tapetes estendidos.
Gilka Machado