Muitas vezes, a sós, eu me analiso e estudo,os meus gostos crimino e busco, em vão, torcê-los;é incrível a paixão que me absorve por tudoquanto é sedoso, suave ao tato: a coma… os pelos…
Amo as noites de luar porque são de veludo,delicio-me quando, acaso, sinto, pelosmeus frágeis membros, sobre o meu corpo desnudoem carícias sutis, rolarem-me os cabelos.
Pela fria estação, que aos mais seres eriça,andam-me pelo corpo espasmos repetidos,às luvas de camurça, aos boás, à pelica…
Gilka MachadoO meu tato se estende a todos os sentidos;sou toda languidez, sonolência, preguiça,se me quedo a fitar tapetes estendidos.
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