O ERÓTICO E O PORNOGRÁFICO

Dando-me conta do número exacerbado de poemas eróticos e pornográficos engavetados, achei por bem criar este blog para o deleite daqueles que gostam desse tipo de arte. Não pretendo com isso causar constrangimento a ninguém. E nem vou postar imagens de pessoas despidas por aqui. Mas vou levar àqueles que têm afinidades com esse tipo de poema, o prazer salutar da leitura.
Importante ressaltar a diferença básica entre poema erótico e poema pornográfico. (O poema erótico é aquele que insinua, que diz com outras palavras, sem ser inconveniente, digamos assim. Já o pornográfico é o que traduz ao pé da letra, fala das coisas como elas são, se é que me entendem.)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

DUAS GAROTAS*

Eram duas garotas nuas
Vestidas somente de pele
E a libido me impele
A devorar todas as duas.

Eram duas garotas nuas
Sem sentir nenhum pejo
Excitado já me vejo
A consumir aquelas duas.

Eram duas garotas nuas
Despojadas de suas vestes
De beleza inconteste
E eu ali, a fitar as duas.

Eram duas garotas nuas
Mas não eram meretrizes
As duas eram atrizes
Nuas no palco... Nuas!

         
          Miguel de Souza

* Poema composto após uma peça de teatro que fui assistir.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

PRAZER

O sentido sem palavras
O afago sem ilusão
O delírio em escaladas
Um desejo do coração.

Os cabelos em desalinhos
A voz rouca em paixão
Nosso corpo em desatino
Minha alma em tuas mãos.

Minha boca em tua boca
Gemido na escuridão
Um olhar perdido ao longe
Sem nunca dizer que não.

O perfume sensual
Mil palavras sem pudor
Um jogo assim carnal
Uma promessa de amor.


Walterney Monteiro
In: Folha do Poeta

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

GUIRLANDA

A luxúria pinta a cara com as tintas do absurdo
tenta as cores mais alucinadas
procura os tons mais profundos

e quando me deito na cama
tenho a alma encamada
e ele me acha a mulher mais bonita do mundo.

Bruna Lombardi
In: O Perigo do Dragão
P.81

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

você

gosto de você assim:
sem fonteiras,
aberta ao extremo
limite de tudo.

medindo o tamanho,
sentindo o tamanho
do meu amor por você...

gosto de você assim!


               miguel de souza

domingo, 7 de fevereiro de 2016

DELÍRIO

Nua, mas para o amor não cabe o pejo,
na minha a sua boca eu comprimia.
E em frêmitos carnais, ela dizia:
- Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
fremente, a minha boca obedecia,
e os seus seios tão rígidos, mordia,
fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
disse-me ela, ainda quase em grito:
- Mais abaixo, meu bem! - Num frenesi.

No ventre pousei a minha boca,
- Mais abaixo, meu bem! Disse ela, louca,
moralistas, perdoai! Obedeci!...

Olavo Bilac

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Basta-me
que teus olhos
penetrando-me
se fechem
no orgasmo
múltiplo
de um flash
sobre as vestes
que se despem
dos meus seios
quando encosto
ao travesseiro
meu anseio
por um beijo

Cândida Alves
Todo Corpo
P.5