O ERÓTICO E O PORNOGRÁFICO

Dando-me conta do número exacerbado de poemas eróticos e pornográficos engavetados, achei por bem criar este blog para o deleite daqueles que gostam desse tipo de arte. Não pretendo com isso causar constrangimento a ninguém. E nem vou postar imagens de pessoas despidas por aqui. Mas vou levar àqueles que têm afinidades com esse tipo de poema, o prazer salutar da leitura.
Importante ressaltar a diferença básica entre poema erótico e poema pornográfico. (O poema erótico é aquele que insinua, que diz com outras palavras, sem ser inconveniente, digamos assim. Já o pornográfico é o que traduz ao pé da letra, fala das coisas como elas são, se é que me entendem.)

sábado, 1 de outubro de 2016

BALADA DAS FILHAS DO ZECA TINGA

Das filhas do Zeca Tinga
a que mais, no fundo, adoro?  AS FILHAS DO ZECA TINGA                                    
Não, a Maria das Dores,
essa, por ser a mais bela,                                         
a flor de todas as flores
da prole do Zeca Tinga.
Com seus olhinhos pretos,
Com seu cabelo franjinha,
 Arredondada a boquinha,
No pescoço, um amuleto;
Sua pele cor de neve,                                      MARIA DAS DORES
Qual toda garota deve:
Educada como ninguém,
Por ser tão bonita assim,
Acho, não é pra mim,
Mas sim, de outro alguém.
A segunda filha, Ivete
Sua graça não me agrada,
E, além disso, ela se mete
A ser das três a danada!
Aquela que mais namora,                                A SEGUNDA FILHA, IVETE
De todas mais desejada,
Aquela de quem primeiro,
Arrancaram-lhe o cabaço..
Foi no mês de fevereiro,
Ou terá sido em março?
Bem, isso pouco me importa!
Quando o hímem se rompeu
Houve gesto de dor/gozo,
No pênis dum tal Pompeu,
Que era metido a Dom Juan!
Já havia deflorado,
A filha do Seu Conrado,
E Dulcina, sua irmã.
Isso sem contar, é claro,
Com as outras investidas,
Como a filha do Seu Amaro,                                       POMPEU, DOM JUAN
Daquelas bem enxeridas,
Que transam só por transar.
Mas, o pior fato se deu
Com a filha do Antenor
Que, por causa, de seu amor,
A mesma, um dia, enlouqueceu.
Não sei se por força da lua,
Sai por aí às vezes nua,
À procura do Pompeu.
A terceira filha, Dora,
Não era tão bela assim,
Mas sabia se embonitar,
Era branca, rubra, loura,                                        A TERCEIRA FILHA, A DORA
E todos os homens a fim,
Que havia no lugar,
Inclusive Dom Juan.
Ah, como eu queria a Dora!
Afagar sua tez branca,
Só de olhar as suas ancas,
Dá vontade de... enfim...
Tê-la todinha pra mim!                                             DO MEU DESEJO POR DORA
Saciar-me em sua cona,
Ser seu verdadeiro dono,
Ela, minha única dona.
Mas não foi bem assim.
Dora era a bola da vez,
No taco de Dom Juan,
Já tinha comido as irmãs,
Agora era a número três,                                DAS INVESTIDAS DE DOM JUAN
Para a sua investida.
Aí, o afamado Pompeu,
Encontrou certo obstáculo,
Ele por ser tão másculo,
Não encontrou mesmo guarida,                     
No bom coração de Dora.
Que se resguardava intacta,                                  DO MOTIVO DE DORA
Para o príncipe encantado,
Seu prometido, seu amado,
Seu verdadeiro e único amor.
Das filhas do Zeca Tinga,
A que mais no fundo, gosto
É mesmo da amada Dora,
Que meu coração não xinga,
Ao contrário, só elogia!
E por isto, não se vinga                          DO MEU DESEJO POR DORA (ll)
Por ter me dito um “não!”
Ah, como queria ser
O seu encantado Príncipe,
E do seu amor partícipe,
Dono do seu coração!


Miguel de Souza

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