O ERÓTICO E O PORNOGRÁFICO

Dando-me conta do número exacerbado de poemas eróticos e pornográficos engavetados, achei por bem criar este blog para o deleite daqueles que gostam desse tipo de arte. Não pretendo com isso causar constrangimento a ninguém. E nem vou postar imagens de pessoas despidas por aqui. Mas vou levar àqueles que têm afinidades com esse tipo de poema, o prazer salutar da leitura.
Importante ressaltar a diferença básica entre poema erótico e poema pornográfico. (O poema erótico é aquele que insinua, que diz com outras palavras, sem ser inconveniente, digamos assim. Já o pornográfico é o que traduz ao pé da letra, fala das coisas como elas são, se é que me entendem.)

sábado, 12 de novembro de 2016

SE TU VIESSES VER-ME...



Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca
In: Charneca em Flor

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Prazer e êxtase


O prazer se
faz em êxtase:
quando o
meu corpo,
feito água,
descobre
todos os
caminhos
do seu.
E deixa-se
ficar
onde você
mergulha em
mim.

Stela Fonseca

sábado, 29 de outubro de 2016

BIS!


Ontem, a caminhar por essas ruas,
Revi velhas estórias, tristes sinas
Que esta mente mais uma vez assina
Com as letras amargas, quais se puas

A ferirem meu peito, sob as luas
Daquelas esqueléticas esquinas!
Ontem, qual um cavalo que, sem crinas,
Trotava livre pelas curvas: ruas

Do teu corpo sem placas de pudor,
Com tua porta aberta para o amor,
A me fazer deveras feliz!

Hoje, apenas um pangaré velhaco,
Quase sem pelo, estapafúrdio e fraco,
Implora ao tempo seu pedido de bis!

Miguel de Souza




segunda-feira, 24 de outubro de 2016

PIVETE

Na ponte velha da sete
esbarrei com um pivete
cheirando cola
e tocando punheta

Com o olhão arregalado
dando pinta de careta
resmungou todo abusado
hummm! Senti cheiro de boceta!


Cândida Alves
In: Todo Corpo
P: 37

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

CIO


Entre as pernas te prendo
serpente e presa em duelo

Instintivos golpes
em obscena estratégia
– despudorada arma

Vitoriosa
bebo em teu cálice
o sêmen

...chove sobre o cio.


Glória Sartore

sábado, 1 de outubro de 2016

BALADA DAS FILHAS DO ZECA TINGA

Das filhas do Zeca Tinga
a que mais, no fundo, adoro?  AS FILHAS DO ZECA TINGA                                    
Não, a Maria das Dores,
essa, por ser a mais bela,                                         
a flor de todas as flores
da prole do Zeca Tinga.
Com seus olhinhos pretos,
Com seu cabelo franjinha,
 Arredondada a boquinha,
No pescoço, um amuleto;
Sua pele cor de neve,                                      MARIA DAS DORES
Qual toda garota deve:
Educada como ninguém,
Por ser tão bonita assim,
Acho, não é pra mim,
Mas sim, de outro alguém.
A segunda filha, Ivete
Sua graça não me agrada,
E, além disso, ela se mete
A ser das três a danada!
Aquela que mais namora,                                A SEGUNDA FILHA, IVETE
De todas mais desejada,
Aquela de quem primeiro,
Arrancaram-lhe o cabaço..
Foi no mês de fevereiro,
Ou terá sido em março?
Bem, isso pouco me importa!
Quando o hímem se rompeu
Houve gesto de dor/gozo,
No pênis dum tal Pompeu,
Que era metido a Dom Juan!
Já havia deflorado,
A filha do Seu Conrado,
E Dulcina, sua irmã.
Isso sem contar, é claro,
Com as outras investidas,
Como a filha do Seu Amaro,                                       POMPEU, DOM JUAN
Daquelas bem enxeridas,
Que transam só por transar.
Mas, o pior fato se deu
Com a filha do Antenor
Que, por causa, de seu amor,
A mesma, um dia, enlouqueceu.
Não sei se por força da lua,
Sai por aí às vezes nua,
À procura do Pompeu.
A terceira filha, Dora,
Não era tão bela assim,
Mas sabia se embonitar,
Era branca, rubra, loura,                                        A TERCEIRA FILHA, A DORA
E todos os homens a fim,
Que havia no lugar,
Inclusive Dom Juan.
Ah, como eu queria a Dora!
Afagar sua tez branca,
Só de olhar as suas ancas,
Dá vontade de... enfim...
Tê-la todinha pra mim!                                             DO MEU DESEJO POR DORA
Saciar-me em sua cona,
Ser seu verdadeiro dono,
Ela, minha única dona.
Mas não foi bem assim.
Dora era a bola da vez,
No taco de Dom Juan,
Já tinha comido as irmãs,
Agora era a número três,                                DAS INVESTIDAS DE DOM JUAN
Para a sua investida.
Aí, o afamado Pompeu,
Encontrou certo obstáculo,
Ele por ser tão másculo,
Não encontrou mesmo guarida,                     
No bom coração de Dora.
Que se resguardava intacta,                                  DO MOTIVO DE DORA
Para o príncipe encantado,
Seu prometido, seu amado,
Seu verdadeiro e único amor.
Das filhas do Zeca Tinga,
A que mais no fundo, gosto
É mesmo da amada Dora,
Que meu coração não xinga,
Ao contrário, só elogia!
E por isto, não se vinga                          DO MEU DESEJO POR DORA (ll)
Por ter me dito um “não!”
Ah, como queria ser
O seu encantado Príncipe,
E do seu amor partícipe,
Dono do seu coração!


Miguel de Souza

sábado, 24 de setembro de 2016

MOTE E GLOSA

MOTE:

Vi a porteira do mundo
entre as pernas da mulher

GLOSA:

Caindo em sono profundo
de repente eu tive um sonho
e nesse sonho bisonho
vi a porteira do mundo
e descobri num segundo
que aquilo que o homem quer
tem mistério e tem mister
mas é fácil de se achar
é somente procurar
entre as pernas da mulher.

José Honório

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Lá quando em mim perder a humanidade

Manuel Maria Barbosa du Bocageé


Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia – o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero funeral comunidade,
que engrole sob-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
Passou a vida folgada, e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro."
(de "Poesias eróticas burlescas e satíricas")





domingo, 18 de setembro de 2016

verdades ilusórias

nos torpes escaninhos da memória:
o olor suave dessa pele âmbar,
o remexer dos teus quadris no samba,
compôs o enredo dessa trajetória.

és a cabrocha pura da história
de amor com este aêdo-bamba,
e o destino tal qual açambar-
cando sem mais verdades ilusórias,

reinventou, na vida, o amor próprio,
ermo das dores, e sem ser opróbrio,
para a felicidade infinda de ambos.

do amor, estando nós ao regozijo,
eu tocando teus seios tanto rijos,
usufruindo a tua tez de jambo.

Miguel de Souza

terça-feira, 6 de setembro de 2016

ARARAS VERSÁTEIS

 Araras versáteis. Prato de anêmonas.
O efebo passou entre as meninas trêfegas.
O rombudo bastão luzia na mornura das calças e do dia.
Ela abriu as coxas de esmalte, louça e umedecida laca
E vergastou a cona com minúsculo açoite.
O moço ajoelhou-se esfuçando-lhe os meios
E uma língua de agulha, de fogo, de molusco
Empapou-se de mel nos refolhos robustos.
Ela gritava um êxtase de gosmas e de lírios
Quando no instante alguém
Numa manobra ágil de jovem marinheiro
Arrancou do efebo as luzidias calças
Suspendeu-lhe o traseiro e aaaaaiiiii…
E gozaram os três entre os pios dos pássaros
Das araras versáteis e das meninas trêfegas.
 
(Hilda Hilst)

sábado, 3 de setembro de 2016

DAR É NÃO FAZER AMOR

Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca…
Te chama de nomes que eu não escreveria…
Não te vira com delicadeza…
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar….
Sem querer apresentar pra mãe…
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral…
Te amolece o gingado…
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
‘Que que cê acha amor?’.
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho…
É não ter alguém para ouvir seus dengos…
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar…
Experimente ser amado…

Luiz Fernando Veríssimo

sábado, 27 de agosto de 2016

GAROTA BOÇAL

Nunca vi uma garota tão metida,
Tão cheia de besteiras e bobagens;
Tem na boçalidade a própria imagem,
E apesar disso é muito atrevida!

Não fala com ninguém nessa vida!
Com calcinha atolada na garagem,
Sai rebolando por aí de passagem,
E de boçal, por todo mundo, é tida!

Nunca vi uma garota desse jeito,
Seu corpo escultural, parece feito
Pelo demônio para enlouquecer...

Ela não anda, rebola, expondo a bunda!
Apesar dessa parte ser rotunda,
Mas isto não lhe dá o direito de...

Miguel de Souza

sábado, 20 de agosto de 2016

FOLHETIM

Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim

E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim

Eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
Eu te farei, vaidoso, supor
Que és o maior e que me possuis 

Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim

Chico Buarque

domingo, 31 de julho de 2016

NECESSIDADES FORÇOSAS DA NATUREZA HUMANA

Descarto-me da tronga, que me chupa,
Corro por um conchego todo o mapa,
O ar da feia me arrebata a capa,
O gadanho da limpa até a garupa.

Busco uma freira, que me desemtupa
A via, que o desuso às vezes tapa,
Topo-a, topando-a todo o bolo rapa,
Que as cartas lhe dão sempre com chalupa.

Que hei de fazer, se sou de boa cepa,
E na hora de ver repleta a tripa,
Darei por quem mo vase toda Europa?

Amigo, quem se alimpa da carepa,
Ou sofre uma muchacha, que o dissipa,
Ou faz da mão sua cachopa.

Gregório de Matos Guerra

sábado, 23 de julho de 2016

WHATSAPP

Quero deliciar-me nessa cona
que me mandaste via whatsApp!
E deixaste meu falo, assim em up,
com a libido em brasa, doce dona!

Adorei ver assim em close-up:
raspada, sem pentelhos, peladona...,
fora da cela da calcinha, a cona
Que me mandaste via whatsApp!

Meu coração dispara num tum-tum,
quando uso, no meu celular o zoom...
Quase sempre, nesse momento, pasmo!

Com essa cena, logo me perturbo!
E, com meu falo rijo, me masturbo,
até às delícias de um louco orgasmo!


 Miguel de Souza



sexta-feira, 15 de julho de 2016

A CÓPULA

Depois de lhe beijar meticulosamente
O cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
O moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
Colhões e membro, um membro enorme e turgescente.

Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinênti,
Não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente

Que vai morrer: – “Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!”
Grita para o rapaz que, aceso como um diabo,
Arde em cio e tesão na amorosa gangorra

E titilando-a nos mamilos e no rabo
(Que depois irá ter sua ração de porra),
Lhe enfia cona adentro o mangalho até o cabo.

Manuel Bandeira

domingo, 3 de julho de 2016

A LÍNGUA LAMBE

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,

a licorina gruta cabeluda,
e quando mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gemidos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.


Carlos Drummond de Andrade

sábado, 28 de maio de 2016

ARTE!

Em vez das vestes, palavras
No corpo desnudo de trapos!
Dessa imagem, não escapo:
Húmus que a mente lavra.

Pés percorrem nus,
Corpo divaga nu,
Nua caminha a beldade
Pelas ruas da cidade...

Nos seios, em vez de sutiã,
A palavra sutiã!
Nos pés, a palavra sapato!
Na bunda, escrito calcinha!

E na frente, também não tinha!...   

Miguel de Souza

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Os homens
são banais
em suas abstrações
sem nexo

Os anjos
são legais
mas não fazem sexo

Cândida Alves
In: Todo Corpo
P. 51

sexta-feira, 6 de maio de 2016

AMANTES

Roupas atiradas num canto de parede
Corpos em movimentos sobre a cama,
Sussurros suados só aumentam a sede
De toda paixão que dos corpos emana.

Horas exploradas segundo a segundo
Lençóis umedecidos, colchão exausto,
Ouve-se gritos de prazeres profundos
Alimentando ao ego, pelo desejo farto.

Uma ociosidade gostosa entra em cena
Promessas românticas, tons fascinantes,
Adormecem vigiados pela noite serena
Com a doce ternura que une os amantes.

Edivan Rafael
In: Versos de um Operário
P.: 43

sábado, 30 de abril de 2016

pegando fogo

quando, carinhosa, meiga,
a roçagar sua tez,
lindamente você chega!
e acontece outra vez,
essa cena tão cínica,
que loucamente me impele!
parece ser algo de pele?
ou deve ser pura química?
qual a regra desse jogo?
será amor? paixão? tara?
por que será, minha cara?
que quando chega, pego fogo?
          e procuro ser discreto,
          com o meu pênis ereto!


Miguel de Souza

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Superheróticos

Enquanto o Incrível Hulk
cresce na parte de cima
verde que nem perereca,
a pobre parte de baixo,
vermelhinha de vergonha,
não rasga nem a cueca.
Já o Homem Invisível
tem um troço tão encolhido
que ganhou este apelido.
E o Homem Aranha? Coitado!
Dia e noite, noite e dia
só na luta contra o mal
deve ter teias no pau...
Êta turminha sem sal!
Não é ridículo?
Ninguém aguenta mais os Super Homens,
com seus cintos de utilidade
e estreitas mentalidades...
Homens com maiúsculos agás,
"gagás".
Chega dos valores desta escala:
muito falo e pouca fala.
Se afinal é preciso mudar tudo,
que se tire então, do homem, o H mudo.

Leila Miccolis  

sábado, 16 de abril de 2016

O Sonho da União

"O amor sonha com a pureza
sexo precisa do pecado
o amor é sonho dos solteiros
sexo é sonho dos casados"

Arnaldo Jabor 

domingo, 10 de abril de 2016

tuas mãos

tuas mãos macias
percorrem meu rosto
e teus dedos sedosos
(ofertando carinho)
pousam na ponta do
meu queixo e
          deixo
teus dedos longos
engrenharem-se pelos
                           pelos
negros da minha cabeça


            miguel de souza

quarta-feira, 30 de março de 2016

FOFOCA

Casos com os chefes
já me arranjaram vários.
Foda é que nenhum deles
aumentou o meu salário!


Cândida Alves
Todo Corpo
P. 54

domingo, 20 de março de 2016

(seios)

expostas ao sol,
transparências de alabastro
latejam vulcões

                                     raízes plantadas
                                     no vasto campo do corpo
                                     - casulos de sonhos

                                                                      úmidas de orvalho
                                                                      na floração matinal
                                                                      - pétalas rosáceas

                                                   Zemaria Pinto
                                                   In: corpoenigma (haicais)
                                                   P.: 14/15

quarta-feira, 9 de março de 2016

NEGÓCIO ERÓTICO

Troca-se
Algumas gotas de sêmen,
Por instantes de orgasmo.

             
                 Migue de Souza

sábado, 5 de março de 2016

PAIXÃO

Amo tua voz e tua cor
E teu jeito de fazer amor
Revirando os olhos e o tapete,
Suspirando em falsete
Coisas que eu nem sei contar.

Ser feliz é tudo que se quer!
Ah! Esse maldito fecho éclair
De repente, a gente rasga a roupa
E uma febre muito louca
Faz o corpo arrepiar.

Depois do terceiro ou quarto copo
Tudo que vier eu topo.
Tudo que vier, vem bem.
Quando bebo perco o juízo.
Não me responsabilizo
Nem por mim, nem por ninguém.

Não quero ficar na tua vida
Como uma paixão mal resolvida
Dessas que a gente tem ciúme
E se encharca de perfume,
Faz que tenta se matar.

Vou ficar até o fim do dia
Decorando tua geografia
E essa aventura
Em carne e osso
Deixa marcas no pescoço.
Faz a gente levitar.

Tens um não sei que de paraíso
E o corpo mais preciso
Que o mais lindo dos mortais.
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou.

kleiton e kledir

quarta-feira, 2 de março de 2016

CAVALGADA

Vou cavalgar por toda a noite
Por uma estrada colorida

Usar meus beijos como açoite
E a minha mão mais atrevida

Vou me agarrar aos seus cabelos
Pra não cair do seu galope
Vou atender aos meus apelos
Antes que o dia nos sufoque

Vou me perder de madrugada
Pra te encontrar no meu abraço
Depois de toda cavalgada
Vou me deitar no seu cansaço

Sem me importar se nesse instante
Sou dominado ou se domino
Vou me sentir como um gigante
Ou nada mais do que um menino

Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham de manhã
Depois do nosso adormecer

E na grandeza desse instante
O amor cavalga sem saber
Que na beleza dessa hora
O sol espera pra nascer

Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham na manhã
Depois do nosso adormece

Roberto Carlos

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

DUAS GAROTAS*

Eram duas garotas nuas
Vestidas somente de pele
E a libido me impele
A devorar todas as duas.

Eram duas garotas nuas
Sem sentir nenhum pejo
Excitado já me vejo
A consumir aquelas duas.

Eram duas garotas nuas
Despojadas de suas vestes
De beleza inconteste
E eu ali, a fitar as duas.

Eram duas garotas nuas
Mas não eram meretrizes
As duas eram atrizes
Nuas no palco... Nuas!

         
          Miguel de Souza

* Poema composto após uma peça de teatro que fui assistir.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

PRAZER

O sentido sem palavras
O afago sem ilusão
O delírio em escaladas
Um desejo do coração.

Os cabelos em desalinhos
A voz rouca em paixão
Nosso corpo em desatino
Minha alma em tuas mãos.

Minha boca em tua boca
Gemido na escuridão
Um olhar perdido ao longe
Sem nunca dizer que não.

O perfume sensual
Mil palavras sem pudor
Um jogo assim carnal
Uma promessa de amor.


Walterney Monteiro
In: Folha do Poeta

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

GUIRLANDA

A luxúria pinta a cara com as tintas do absurdo
tenta as cores mais alucinadas
procura os tons mais profundos

e quando me deito na cama
tenho a alma encamada
e ele me acha a mulher mais bonita do mundo.

Bruna Lombardi
In: O Perigo do Dragão
P.81

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

você

gosto de você assim:
sem fonteiras,
aberta ao extremo
limite de tudo.

medindo o tamanho,
sentindo o tamanho
do meu amor por você...

gosto de você assim!


               miguel de souza

domingo, 7 de fevereiro de 2016

DELÍRIO

Nua, mas para o amor não cabe o pejo,
na minha a sua boca eu comprimia.
E em frêmitos carnais, ela dizia:
- Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
fremente, a minha boca obedecia,
e os seus seios tão rígidos, mordia,
fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
disse-me ela, ainda quase em grito:
- Mais abaixo, meu bem! - Num frenesi.

No ventre pousei a minha boca,
- Mais abaixo, meu bem! Disse ela, louca,
moralistas, perdoai! Obedeci!...

Olavo Bilac

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Basta-me
que teus olhos
penetrando-me
se fechem
no orgasmo
múltiplo
de um flash
sobre as vestes
que se despem
dos meus seios
quando encosto
ao travesseiro
meu anseio
por um beijo

Cândida Alves
Todo Corpo
P.5

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

É ASSIM A VIDA

                                             Pra Rose

Sempre que venho aqui, neste recinto,
em busca do que não encontro lá fora:
tremendo alívio no meu peito sinto,
e nunca mais eu quero ir daqui embora!

Mas tenho que partir... Meu peito chora!
Se eu disser que não, lá no fundo minto!
E esse amor que sempre acho tão sucinto,
é imprescindível nesse meu agora!

Ao contemplar a tua linda face,
no reflexo do espelho sem disfarce,
deixo um abraço como despedida.

Volto a fitá-la, e num tamanho close,
cito o verso da tua graça: Rose.
E saio tão feliz! É assim a vida!

Miguel de Souza

sábado, 23 de janeiro de 2016

DÁ A SURPRESA DO SER

Dá a surpresa do ser.
É alta, de um louro escuro.
Faz bem só pensar em ver
Seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem
(Se ela estivesse deitada)
Dois montinhos que amanhecem
Sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco
Assenta em palmo espalhado
Sobre a saliência do flanco
Do seu relevo tapado.

Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?

Fernando Pessoa
In:Mensagem
P.92

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

PARA O SEXO A EXPIRAR

Para o sexo a expirar, eu me volto, expirante.
Raiz da minha vida, em ti me enredo e afundo.
Amor, amor, amor - o braseiro radiante
que me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo.

Pobre carne senil, vibrando insatisfeita,
a minha se rebela ante a morte anunciada.
Quero sempre invadir essa vereda estreita
onde o gozo maior me propicia a amada.

Amanhã, nunca mais. Hoje mesmo, quem sabe?
Enregela-se o nervo, esvai-se-me o prazer
antes que, deliciosa, a exploração acabe.

Pois que o espasmo coroe o instante do meu termo,
e assim possa eu partir, em plenitude o ser,
de sêmen aljofrando o irreparável ermo.

Carlos Drummond de Andrade
In: O amor natural

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

desejo

a libido aflorava
na tez alva de Núbia
nos seios fartos de Núbia
nas coxas flamas de Núbia

e meus olhos consumiam
a tez alva de Núbia
os seios fartos de Núbia
as coxas flamas de Núbia

mas eu muito menino...

não pude usufruir
da tez alva de Núbia
dos seios fartos de Núbia
das coxas flamas de Núbia

e tive de contentar-me com

a libido que aflorava
na tez alva de Núbia
nos seios fartos de Núbia
nas coxas flamas de Núbia

Miguel de Souza

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

ERUPSOLUCIONANDO

Não fere o teu corpo ao meu
quando acende em fagulhas
e arde na cama
A chama que inflama a carne

coloca os meus gestos
na erupção
que sai vulcanizando
o meu corpo

/ ... estamos fazendo amor/


Regina Melo
Pariência
P.72

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

CARNE EM FOGO

Quando uma
de minhas mãos
           se desata
aquecendo a noite
constelada dos teus seios
           a outra desce
à garganta do ventre
onde um vulcão, aceso em flor
          despeja
          livremente
          suas lavas de mel
no fundo de tuas coxas

e sob cheiros
de roupas e lençóis
          (dentro da tarde
          e no incêndio da carne)
                       abro tuas pétalas
                       entre meus dedos
e freme o teu corpo
- meu precipício alarmante

Domingos Ferreira Neto
Mais Uns - Coletivo de poetas
P.50